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terça-feira, 6 de julho de 2010

Próprias...

O cansaço me tira o chão, limpa meus pensamentos. Desperta-me dos sonhos, desanima meus sentimentos. E em troca da alma que entrego, recebo meia dúzia de palavras que rendem apenas algumas rimas pobres. Longe...

domingo, 4 de julho de 2010

"110, 120, 160..."

Lembrei-me agora de quando peguei pela primeira vez a Fernão Dias rumo à Sampa, dividido entre o medo de vacilar ao volante, a sensação daquela primeira viagem como condutor, as lembranças de algumas labutas pra chegar àquele dia, e a vontade de ouvir repetidas vezes Infinita Highway... Era tempo em que eu achava que tudo dali pra frente seria diferente! Muita água já rolou desde esse dia, e a rotina acabou me colocando no piloto automático. Acabei percebendo que dirigir assim pode até me levar à destinos longínquos, mas ao custo de perder a beleza da viagem. Saudoso com o passado e preocupado com o futuro, escrevi um roteiro de linhas retas para um livro que tem linhas tortas, e diferentes, a cada página virada. Apostei sempre as últimas fichas em uma única carta.

Quero o volante de novo em minhas mãos. Parece que já se passaram vários anos dentro desse ano, que só chegou à sua metade agora... já pensei e repensei muita coisa, já fiz muito, e ainda assim, fiz praticamente nada. Tô pagando pra ver "até onde o motor aguenta". E haja divagação nessa estrada!

Reticências...

Uma prima observou o quanto eu usava as Reticências (...). Verdade! Em quase toda frase que uso tento encaixar esses três pontinhos, que podem dizer tudo, ou que podem dizer nada... (rs, reticências novamente)

Vez ou outra me perco pensando se isso quer dizer alguma coisa; aí hoje achei no Recanto das Letras um trecho que diz que "As reticências são sinais gráficos de grande poder de sugestão e ricas em matizes melódicos. São ótimas auxiliares da linguagem afetiva e poética. Seu uso, porém, depende do estado emotivo do escritor. (...) São fundamentais naqueles casos (...) de duplo sentido, nos muitos subentendidos das conversas vagas, nas promessas indefinidas, nas situações pouco claras, nas esperanças falsamente criadas, nas aberturas ao contraditório, nos convites a 'algo mais', enfim, em todas as circunstâncias nas quais a precisão e o cuidado com o verdadeiro não figuram entre as prioridades do autor..."

É, acho que isso diz alguma coisa sim! Ao ler o trechinho acima, adorei as citações do convite ao algo mais, dos subtendidos das conversas vagas, das situações pouco claras e das esperanças falsamente criadas... adorei porque pensei em tanta coisa após esse trecho, que não consegui traduzir muito claramente essa minha relação com as reticências. Pensando e repensando, escrevendo e reescrevendo, só consegui encaixar uma coisa à esta minha divagação:

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